José Tadeu Alves
Arte é movimento, sua alma está em chama, então você cria...
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Óh, tão querida em cena,
Quanta saudade de outrora!
Quando eras tão bela e arborizada...
primorosamente vestida e ornada,
pena, que não tão bela, agora!

Eras tu, Barbacena, uma das mais belas
do tempo do Império.
Eras calçada de paralelepípedos,
e das Minas, eras mais um dos mistérios.

Lembro, ainda, de toda essa riqueza,
despida pela pobreza dos ávidos,
pelo lucro imediato!
De um sonho só nos resta a lembrança
daquela que era tão linda de fato...

De tantos, dos Campos, eras a Princesa...
De muitos sonhos desfeitos...
Por seu mérito direito e de todos nós,
de ter sido contemplada!

A cidade histórica mais conhecida,
pelo seu ilibado trajeto de vida,
deverias ter sido respeitada!

Desde as margens reconhecida,
da Estrada Real...
Suas Irmãs mais antigas,
até hoje clamam por seu abrupto...
silêncio na história!

Entre elas, podemos até sentir
um certo "murmúrio"(lamento)
pela insana troca, das velhas estruturas
de adobe... por armações de cimento!

Arrancaram-lhe tuas nobres vestes,
tuas mais nobres cenas...
Pra onde levaram toda a riqueza
histórica e esmero?
Será que valeu a pena frustrar
sua beleza?
Trocar todo aquele casario...
pelo interesse... por dinheiro?

Saudades das alamedas, jardins, becos,
avenidas...beirais, portais e janelas bem entalhados... 
 
Saudades de tantos detalhes!
Poderiam, lhe ter permitido, crescer à volta...
como suas irmãs... 

E hoje ainda, como de sussurro, se reverbera em sua aura noturna, as antigas imagens do passado!
Quando observamos a neblina em repouso por sobre nossas casas e colinas...
Podemos até sentir o que sentes:
De um passado, que poderia ter sido quase eternizado...
Pela lei do tombamento...Que infelizmente a ti foi tormento, Confundida por pessoas insensíveis à sua história.
Vejo hoje, com saudade, a maldade que lhe fizeram,
Ceifando-lhe o direito de ser eterna!

Poderias ser um ponto turístico; restando-lhe o legado de ser mera passagem... 
Resta-nos, apenas, um longo suspiro-lamento,
Recordar, recordar...
Do quão bela tu eras. 
Óh cena!!!
Saudades infinitas da antiga e rica...
BARBACENA!

 
José Tadeu Alves
Enviado por José Tadeu Alves em 19/04/2016
Alterado em 29/11/2019


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